terça-feira, 9 de agosto de 2016

Neurose de Santidade

Esta carta foi extraída do site www.caiofabio.net

Querido Caio, meu pastor,

Recebi tua resposta há alguns meses e desde então tenho tentado digeri-la—e mais: vivê-la! 

Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão. 

Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu sei), perguntando: “Se a santidade vem de Deus e não do homem, por que eu me bato tanto (poderia ter escrito “me esmurro” também) pra conseguir me apropriar dela e pra conseguir ser santo e não ferir a Santidade de Deus?” 

Cara, você deve ter noção sim de como é horrível a gente estar em luta conosco mesmo a todo o momento. A luta de não querer, como se lê na Bíblia, entristecer o Espírito Santo... 

Cara, eu sinto nestes últimos dias que Ele simplesmente foi embora. Sumiu. Abandonou-me. Ou eu teria abandonado Ele? 

Nem sei se agora peço a sua ajuda. Só sei que pra mim tá difícil. São dias tristes em que a Graça parece passar à minha frente sem que eu consiga tomar posse dela... 

Tomar posse... 

Ah! Cara, eu tô de saco desse negócio de religião! De ficar repetindo palavras do tipo "o meu casamento é o melhor!"... etc... etc ... etc..., como se pela repetição a gente fosse se apropriar de algo... 

Pode até ser que sim, que alguém se aproprie, mas fica por ali um cheiro de maracutaia. 

Mas, ao mesmo tempo, eu leio o último texto publicado hoje (26.08) da resposta ao nervoso rapaz chamado de fariseu, e encontro na fala dele, aqui e ali algo que me chama. Algo de religioso que sussurra aos meus ouvidos: "Vem, vem...". 

Taí, desculpa Caio, sou mais uma alma infeliz e conturbada a te escrever... 

Caio, nosso pastor amado. 

Caio, aquele que se entristece com o nosso não-entendimento. 

Mas saiba, eu tento. Eu tento. 

Serei mais um daqueles que apenas foram chamados? 

E ainda por cima me colocam pra tocar lá na frente todo domingo. E tomar conta de células. Tomar conta e “trabalhar” com os jovens...

Com quem além de você eu posso me abrir? 

Ore por mim, eu te peço. 

Um forte abraço, 

Aquele cara que tinha escrito sobre não querer “pacotes pré-fabricados”, mas que, às vezes, inveja aqueles que compram e seguem o “coro dos contentes”. 

Cara, eu só quero a PAZ, nada mais. Onde ela está? 


PS: Caio, eu te escrevi as linhas aí em cima no dia 26.08, e retransmito como você pediu que fizéssemos, já que tudo sumiu do teu lap. Abuso da tua paciência e encaminho outro pedido de socorro, digamos assim, que está publicado no meu blog e que retrata ainda mais a minha condição hoje com Deus. Condição? Que coisa mais esquisita esta que eu escrevi... Ato falho? 

Eis o texto: 

"O grito" 

Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho qualquer - menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal. Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar meu remédio à base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha existência. 

Tudo veio do nada. Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma palavra dura—que noutro tempo nem poderia ser dura—, e eu fui esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo vão perdendo a graça. 

Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei quantas gotas e agora estou aqui, debruçado sobre este teclado, pedindo socorro. 

A quem? 

A mim mesmo, talvez. 

É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na igreja, que tudo deveria fazer sentido em Cristo. 

É nestas horas que a gente deveria sentir aquela alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor. 

Mas eu não a sinto. 

Resta aqui dentro um vazio imenso.

Enorme. De dar medo. 

Seja qual for seu credo—mesmo que nenhum—, ore por mim. Estou mal. 

Rik. 
(15.09.03)


Resposta:
Meu querido irmão Rik: Paz e Descanso!

O modo como a “santidade” foi compreendida pela maioria da cristandade é algo que, se praticado, enlouquece qualquer pessoa.

Temos dois mil anos de “histórias de santidade cristã” que são atestados de enfermidade e conturbação mental.

Se a tal idéia de “santidade”, conforme ensinada pela religião cristã, fosse verdadeira, saiba, faria bem, e não mal.

Onde estão os santos felizes da Cristandade?

Não há nada que seja de Deus e faça mal à alma!

De fato, toda ênfase em santidade parte de dois pressupostos, no meio cristão:

1. Santidade como esforço humano de controlar os instintos e as manifestações de egoísmo. Obviamente que apenas o “instinto” (especialmente o instinto sexual) é que carrega a fama de ser o diabo da santidade. O Catolicismo histórico e o Arminianismo virtuoso, ambos estão cheios disso. E saiba, quando se trata de santidade, até os reformados e Calvinistas são Arminianos. Trata-se do “livre arbítrio” como Lei, o que gera toda essa responsabilidade neurótica na moçada.

2. Santidade como “pagamento cristão” pela suposta “Graça da salvação”. Ora, já houve quem dissesse, entre os Reformadores, queem Cristo Deus nos salva da Lei para nos justificar, e, depois, nos devolve à Lei, para nos santificar. Até os Reformadores acabaram, na prática, caindo nesse engano.

Ora, no primeiro caso temos esses dois mil anos de doenças cristãs que tantas trevas trouxeram à história da espiritualidade cristã, salvo algumas exceções. Já o segundo caso, ainda carrega em si mesmo a incapacidade de levar as implicações da fé em Cristo, e o Escândalo da Cruz, até às últimas conseqüências.

Meu amigo, infelizmente, mas tenho que lhe dizer que se você não desistir de vez de ambos os pacotes, você estará fadado a viver em angústias de alma para o resto da vida.

Você disse que desejaria ser um ser não pensante. E você afirmou isto apenas porque você pensa no assunto o dia todo. Ora, nesse sentido você é um homem “pensante”. Assim, é claro que você não suporta mais não ser um homem “pensante”. Todavia, de fato, seu problema não é ser pensante, mas apenas um ser fixado, neuroticamente, na idéia da santidade como conquista de Deus e de Sua intimidade. Na realidade você está “doente de santidade”. E saiba: você não está só. 

É bem verdade que hoje em dia as pessoas já não sofrem tanto com o pecado na perspectiva propositiva de vencê-lo para serem santos; antes pelo contrário; a maioria sofre o pecado como culpa negativa, e apenas em razão de que temem a “maldição de Deus”.

Você não falou o que o perturba, gerando esse sentimento de impotência, chegando mesmo a questionar se você é um dos “muitos chamados” que, eventualmente, não estão entre os “escolhidos”. 

Isto sim revela o grau de sua perturbação e a gravidade de sua “condição”.

De fato, meu amigo, não estamos aqui falando de Deus, mas apenas de você. Aliás, sua carta e tudo o que você sente nada têm a ver com Deus, mas apenas com sua construção psicológica de “Deus”; sendo, portanto, uma questão de natureza psicológica, e não espiritual.

Se eu perguntasse agora a você quais são esses elementos de perturbação ao seu alvo de “santidade”, sem temer ser precipitado, sei que você me diria que possivelmente 90% de suas agonias prendam-se ao tema da lascívia e dos instintos chamados animais. 

Ou seja: dificilmente sua perturbação acontece porque você queira crescer em amor e esperança (verdadeira santidade), mas sim porque você luta contra desejos estranhos, vontades de olhar o belo, de contemplar o que lhe agrada os olhos, de possuir o que você nunca teve, de expandir seus horizontes de experiências variadas, de cobiça, de pulsões sexuais fortes, e nem sempre focadas na sua companheira, e de muita aflição neurótica por se julgar um ser sujo e desprezível por não fazer o bem que prefere (dentro de você), mas sim o mal que você detesta (dentro de você).

Ou seja: sua alma está cativa de Romanos Sete, e não conseguiu andar e mergulhar em Romanos Oito.

O
ra, o que é santidade?


Primeiro, quero que você saiba que santidade acontece como algo exatamente igual ao princípio da justificação pela fé. Paulo diz que em Cristo nós não apenas recebemos a justiça-justificadora de Deus, mas também a santidade e a sabedoria (Tiago diz que a sabedoria vem da fé). Ou seja: pela fé em Cristo eu sou-estou tão salvo quanto sou também santo. E, isto, meu amigo, é o que é santidade para Deus. Para Deus, ser santo é estar sob a Graça Justificadora, em plena certeza de fé, e descansando completamente na obra da Cruz.

Um exemplo do que lhe digo é a introdução da carta de Paulo aos Coríntios. Eles são tratados como “santos”, mas o fluir da carta mostra que eles eram “apenas” santos em Cristo, posto que não haviam ainda caminhado na vereda da pacificação do ser, na Graça. Essa era a razão de viverem em disputas, ciúmes, invejas, facções e perversões, até de natureza sexual, como foi o caso do homem que possuiu a mulher do próprio pai. No entanto, esses doentes na história e na existência, eram (são) santos em razão de que a Graça realizou em Cristo a santidade da qual eles ainda não haviam se apropriado como bem pessoal nesta existência.

Meu irmão, o santo é o pecador que não tem justiça própria e que confia sem reservas no que Jesus fez em seu favor!

Paradoxalmente, o caminho da santidade é um caminho de esvaziamento da justiça própria, de tal modo, que o verdadeiro santo nem se preocupa com santidade.

Quanto mais alguém se preocupar com santidade, menos santo será

O verdadeiro santo crê que Jesus se santificou por ele, conforme Jesus disse: “Eu mesmo me santifico por vós”.

A desgraça toda é que no cristianismo a santidade virou um concurso de mortificações neuróticas, e de busca de amestramento da alma aos padrões da moral religiosa, ou seja: da Lei.

Ora, assim como sob a Lei ninguém é justificado, do mesmo modo, sob a Lei ninguém é santificado.

A Lei exacerba as culpas e neurotiza o ser!

O verdadeiro santo se sabe não-santo. E não se angustia com o fato de sua imperfeição histórica, visto que ele sabe que a vida na Terra é um processo, e que ele ainda não alcançou, em si mesmo, tudo aquilo que ele já sabe que em Cristo é seu.

Assim, esquecendo das coisas que para trás ficam... ele prossegue para o alvo. No entanto, enquanto confessa a sua imperfeição, ele mesmo, conforme Paulo escrevendo aos Filipenses, diz que “já é perfeito”; embora também diga: “Não que eu tenha já alcançado a perfeição...”.

Paradoxo!

Insisto o tempo todo nisto: quem não entende o paradoxo de que tudo já está feito e consumado para Deus e em Deus, embora ainda não esteja plenificado no homem, não terá descanso e nem paz, jamais.

Estranhamente, porém coerentemente com a verdade do Evangelho, o indivíduo só começa, espiritualmente, a ser alguma coisa, justamente quando morre para a pretensão de ser aquela coisa.

Para ser santo o cara tem que morrer para a pretensão da santidade!

Ora, isto faz também total sentido psicológico, posto que enquanto a pessoa luta contra suas pulsões, mais elas crescem; equando ela as trata sem os rigores neuróticos da moral, então, ela começa a se ver livre de seu mal.

E tem mais: uma mente nervosa e angustiada pela neurose da santidade ou da culpa não consegue tirar proveito espiritual de nada. De fato, para tal pessoa não há benefícios a serem usufruídos, posto que ela não crê no Evangelho.

Isto porque, meu amigo amado, o Evangelho não é apenas uma história. O Evangelho é o benefício da história. É Boa Nova. Não uma Nova Desgraçada. 

Muita gente diz que crê no Evangelho apenas porque acredita nas histórias do Evangelho, e porque acredita que Jesus é o salvador de todos os homens. Todavia, isto é apenas, ainda, algo para se acreditar, pois é apenas a certeza de que um certo evento histórico aconteceu. Ora, isto está longe, muito longe de ser tudo.

Ora, tais pessoas crêem na Crucificação, mas não crêem na Cruz. Crêem na Ressurreição como fato histórico (orgulhosos, dizem: “A tumba está vazia!”), mas não crêem no benefício da Ressurreiçãoposto que não dizem: “Estou absolutamente justificado!”

Conhecer a Jesus segundo a carne é acreditar apenas nas ocorrências do Evangelho, visto que são inegáveis. No entanto, conhecer a Jesus no espírito é usufruir o bem realizado por Ele em nosso favor, conforme o Evangelho.

Bem, é aqui que o bicho pega!

Isto porque para se usufruir tais benefícios, o sujeito tem que desistir de agradar a Deus por conta própria

É muita pretensão minha acreditar que eu tenho o poder de me santificar para Deus a fim de agradá-lo!

Todo verdadeiro desejo de “lhe ser agradável”, conforme Paulo, acontece no sentido oposto à compreensão dessa tal santidade neurótica e presunçosa. 

Nós entendemos que para ser agradáveis a Deus nós temos que satisfazer a Deus com nossa perfeição. Para Paulo, Deus só é agradado em Cristo, e para agradá-lo, tem-se que abandonar todas as nossas justiças próprias e mergulhar na paz que vem da fé, de modo completamente descansado, a fim de receber a misericórdia.

Paulo chega mesmo a exagerar a parábola dos “Trabalhadores da Última Hora”, aqueles que chegaram no fim e ganharam o mesmo que os que haviam trabalhado o dia todo. Paulo vai além. Para ele (Romanos Quatro), a situação ainda era mais “escandalosa”. Era como o cara que não trabalhou, mas, assim mesmo, com “santa cara de pau” fundada na fé na Graça de Deus e na justiça de Cristo, apresenta-se a fim de receber o Salário da Vida.

Agora, deixo com você algumas coisas práticas.

1. Você tem instintos, e sempre os terá. Eles apenas se acalmarão, seja pelo tempo, seja pela sua entrega a Cristo, hoje, mediante o fazer morrer de sua justiça própria. Nada revela mais arrogantemente a nossa “natureza terrena” que a justiça própria. Portanto, não se aflija com seus instintos. Tudo o que o instinto animal deseja é “combate”. Lembre: trata-se de um animal. Oprima-o, e ele o atacará. Deixe-o em paz e ele saíra e entrará na floresta. Assim, não combata seus instintos, mas apenas brinque com eles. Diga: “Pô, cara, cê tá maus!” Faça isto com bom humor com você mesmo e com Deus. Ora, estranhamente, você verá que essa santa tranqüilidade vem da certeza de que aquilo só é um incômodo para você, mas não mais um problema entre você e Deus. E, assim, paradoxalmente, a coisa toda se esfria de repente...

2. Sua mente já está chegando perto da Graça, mas sua alma ainda está presa ao espírito neurótico da religião. No entanto, saiba: Deus não está zangado com você. Se eu pudesse falar por Ele, eu apenas diria que Ele se “entristece” com o fato de que você não confia, para o seu próprio bem, que Deus já se reconciliou com os homens. Ou seja: É como se Deus dissesse: “Que pena. Está tudo feito e consumado, mas o Rik ainda quer me dar uma ‘mãozinha’, sem saber que esta ‘mãozinha’ é aquilo que o impede de receber o que Eu já fiz”.

3. A cada dia eu vejo como o diabo está mais presente nesses processos cristãos de angústia culposa e neurótica do que as pessoas pensam. Paulo diz que o que despoja os principados e potestades é a certeza de que o escrito de dívidas que havia contra nós foi INTEIRAMENTE REMOVIDO E ENCRAVADO NA CRUZ. Ora, enquanto não se descansa nisto, não há paz que nos seja possível. Digo isto especialmente porque nós somos o povo que trata a Lei de Moisés de um modo herético, visto que, em Jesus, tal Lei morreu, e não aceitar isso é como transar com defunto. A heresia cristã mais contínua é esse culto à Lei e esse casamento com Moisés. Sim, a maioria dos cristãos vive em estado de bigamia espiritual e praticando necrofilia espiritual, confessando a Jesus como “caso de amor”, mas sem deixar de manter o casamento com o defunto Moisés. Em Romanos Sete, Paulo diz que a Lei morreu em Cristo a fim de que possamos contrair novas núpcias com Deus, não mais sob a Lei, mas conforme a Lei da Graça, em Cristo.

4. Ainda que para uma pessoa em estado de neurose religiosa crer em tudo isto pareça uma irresponsabilidade espiritual, todavia, eu lhe digo que só haverá benefício para a sua alma se você deixar a Lei morrer em seu coração a fim de que a Lei da Graça possa criar uma consciência pacificada em você.


Meu irmão, morte é morte! 

Quando Jesus diz que o discípulo tem que negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-Lo, saiba: Ele estava falando de negar o “si-mesmo” (que é negar a sua justiça própria), tomar a cruz (que é crer na Cruz, contra os impulsos do zumbi da Lei), e segui-Lo (que é andar conforme a fé que nos garante que Tudo Já Está Feito!)

E quanto a isto, não tenho qualquer dúvida, visto que experimento os benefícios dessa paz todos os dias, especialmente naqueles dias e horas em que minhas contradições pessoais querem se levantar chamando Moisés para a cama da minha alma.

Moisés não sobe na minha cama. Sou casado com Jesus. Não há lugar para Jesus e Moisés na minha alma. Meu coração é só de Jesus. E Moisés é apenas um irmão de uma determinada hora, mas que está longe, infinitamente longe, de poder ser o pacificador de minha alma.

A Cruz removeu todas as conseqüências do pecado, diante de Deus, para todo aquele que crê que Jesus é Suficiente!

Significa que não peco mais? Ora, nem de longe. Eu sou o principal dos pecadores; justamente por isso, também sou o mais certo do benefício da Cruz em meu favor.

E mais: no início de minha caminhada de fé, quando santidade para mim ainda era um exercício na Lei, minha mente era infinitamente mais aflita do que hoje, quando não tenho nenhuma justiça própria, e, em razão disso, também não sofro de nenhuma neurose culposa.

Eu só me glorio na Cruz!

Na pratica, o que acontece é que essa desmobilização de energias psíquico-espirituais que ficam a serviço da Lei, quando liberadas para o bem, cria forças tranqüilas em nós, e que nos possibilitam caminhar vendo no nosso equívoco, ou pulsão interior inadequada, ou mesmo em ações impróprias, coisas que eu identifico em mim, mas o faço a meu favor, não como quem se odeia por isso, mas como quem agradece a Deus que tais coisas já não impedem meu caminho com EleEntão, paradoxalmente, tudo desvanece, e os instintos e pulsões se acalmam, visto que não mais os alimento com culpa. A culpa deu lugar à consciência pacificada.

Faça o exercício de deixar tudo como está, sem dar nenhuma bola para nada—nem para o pior sentimento, desejo, instinto ou pulsão interior—, e você verá como isso vai se dissolver, lentamente, até que você não mais terá conversas com o diabo disfarçado de santidade.

O que você tem que fazer?

Ora, de preferência, NADA!

Nada é o que você tem que fazer!

O que pode ser feito pela culpa já está feito por Jesus.

O que lhe falta é crer!

Agora, então, saiba: acabou o tempo de “acreditar” em Jesus, e começou o tempo de crer e confiar em Jesus.

O Jesus
 para se “acreditar” é um Chefe Religioso. Mas o Jesus no qual se crê e se confia é o Deus que tudo realizou em nosso favor. E não apenas há dois mil anos, mas antes mesmo da Fundação do mundo.

Ninguém jamais foi justificado pelas obras da Lei; nem mesmo Moisés. Todos os que são e foram justificados em toda a Terra, o foram porque o Cordeiro foi imolado antes da fundação de todas as coisas.

Meu irmão, crer ou não crer, eis a questão!

Receba meu beijo e minhas orações!


NEle, em quem você é santo,


Caio

PS: Veja também se seu problema não é outro; por exemplo, insatisfação com sua vida, seu casamento, e seus papéis eclesiásticos. Às vezes o cara chama de falta de santidade aquilo que na verdade é apenas infelicidade não confessada.

(Carta respondida em 07/10/2004)

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