sábado, 24 de março de 2012

A Soberania de Cristo - Estudo


De Otniel Fernandes


A Soberania de Cristo
(Cl 1.15-22)
Paulo escreve aos Colossences com o objetivo de orientá-los na sã doutrina. Mais especificamente, combater a heresia colossence. Essa estava se alastrando pela igreja de Colossos, prejudicando o verdadeiro e puro Cristianismo.
A Heresia Colossense subsistia em conceitos dualísticos do universo teológico/filosófico. Esse dualismo levava a uma negação da completa divindade de Cristo.
Produzia uma opinião a qual pregava que os aspectos espirituais do homem se separavam assencialmente do seu aspecto material. O homem interior espiritual era bom, enquanto, o homem material era mau, ambos não se fundiam.
Essa posição dualística levava a dois extremos: Licenciosidade e Ascetismo.

Licenciosidade: Como os Colossos criam que as naturezas eram separadas, logo, praticavam imoralidades e agruras no corpo, alegando que isto não faria nenhuma diferença na sua vida espiritual, mantendo assim um relacionamento com Deus no espírito, tendo ao mesmo tempo uma vida devassa.
Ascetismo: Alegando que o espírito bom estava preso a um corpo de maldade, nutriam uma pseudo-espiritualidade através de punição corporal, observando regras e preceitos humanos, (que nada podiam em seus efeitos contra o pecado) assim disciplinando rigorosamente o seu corpo, obedecendo a preceitos que governavam o comer, dormir e o tocar. Regras que exigem uma severa observação de horas e dias de jejum.
Porém o maior problema é que acreditavam que Cristo era uma espécie de ser menos “evoluído”. Pelo fato de entrar em contato com a humanidade e o mundo material (que em sua visão era mal). Assim acreditavam que haviam anjos mais “puros” que Cristo, e através de um contato com eles, poderiam exercer maior espiritualidade. Não acreditavam que Cristo, sendo um ser superior, dignar-se-ia entrar em contato com o mundo material do “mal”.
Em resposta a esta teologia, Paulo escreve aos Colossences sobre a soberania de Cristo. Exercida no mundo físico, espiritual, e místico da igreja. Tal autoridade chega, a sua representatividade suprema na Cruz, onde nos reconcilia com Deus, destrói as acusações e vence, de uma vez por todas, as autoridades espirituais do mal.



1.      Cristo é Senhor do mundo material.
Em 1.15, Paulo nos diz que Ele é o primogênito de toda a Criação. A palavra “primogênito” no Original grego, tem o sentido de prioridade e supremacia.
Ele é supremo sobre a Criação. Os pássaros cantam a cada manhã, o sol irradia a nossa janela, as árvores dançam ao sopro dos ventos, as nuvens passeiam pelo céu, por que Cristo permite!
Em 1.16, Paulo diz que Nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis. Ele é quem sustenta a Criação.
Ele é quem ordenou ao peixe que devolvesse Jonas. Ele quem repreendeu o vento e o mar. Ele é quem abriu o mar vermelho. Ele é quem fechou os céus, também Ele que ordenou a chuva que inundou a terra. Ele é soberano sobre a natureza, é o Deus presente que controla a natureza, incontrolável e temida pelo homem.

2.      Cristo é Senhor do mundo Espiritual.
Em 1.16 Paulo nos diz que até os tronos e dominações, principados e potestades foram criados por Ele e para Ele. Até o mundo Espiritual é subsistido e alicerçado em seu poder. Os demônios se prostram diante do senhorio de Cristo. As enfermidades são sujeitas ao seu nome, pois ele é Senhor que cura. Nada e nem ninguém podem impedir o agir soberano de Cristo!
Onde sua fé tem sido depositada? No poder de um líder? Em seu nível de santidade? Em sua denominação poderosa? Em um objeto milagroso caro? Ou na soberania de Cristo sobre as potestades e enfermidades?
Quando nossa fé esta alicerçada em Cristo somente, o milagre acontece, os demônios estremecem, as águas se solidificam ao caminharmos em direção ao mestre!
3.      Cristo é Senhor dos eleitos.
Em 1.18 Paulo comunica que Cristo é cabeça do corpo da igreja. Esta linguagem simbólica possui vários significados que podem ser apreciados. Ele é o mentor da igreja, o líder supremo, o protetor, o que mantém o corpo vivo, o que alimenta o corpo, o que o faz crescer. Nenhum líder tem o direito de tomar posse de uma igreja, impondo regras e diretrizes pessoais. A igreja é de Cristo, e o que Ele permitiu que seguíssemos esta em sua palavra e não em uma série de tabus humanos!

Cristo exerceu a maior representatividade de seu poder na Cruz. Pois foi na Cruz que:

1.      Nos reconciliou com Deus.
Em 1.21, esta escrito que em outro tempo éramos inimigos e odiávamos a Deus, estávamos separados Dele pelo nossos maus pensamentos e ações, porém através do corpo de Cristo nos tornamos amigos de Deus. Jesus nos trazendo a presença do próprio Deus, santos, irrepreensíveis, inculpáveis, livres de qualquer condenação! Deu-nos a Paz.
Quantos de nós odiávamos ser abordados pela realidade. Fazíamos de tudo para esquecer aquilo que ainda não sabíamos, mas que nossa consciência apelava para que buscássemos.
Muitos de nós expressávamos nosso ódio e rancor de Deus, através de atos e palavras impiedosas contra os eleitos do Senhor! Odiávamos e repudiávamos tudo o que nos levava a um estado de reflexão espiritual. Porém inevitavelmente fomos contristados por esse amor tão poderoso, que na situação mais caótica nos ofereceu abrigo e segurança! Há, grande amor, que me transformou em um amigo de Deus e de suas obras. Quão miserável sou, foi a frase que me impulsionou a dobrar-me diante do mestre!
2.      Cravou as acusações na Cruz.
2.14          Nos lembra que a acusação mui justa foi cravada por Cristo na Cruz. Os homens cravaram pregos em Cristo, Cristo cravara a morte dos homens na cruz. Somos livres e felizes pois nada pode condenar os que foram comprados por Cristo no Calvário!
3.      Venceu as autoridades espirituais do mal.
2.15, o grito de vitória da igreja sobre satanás e os demônios com suas mazelas.
Ele despojou (Tirou de) os principados e potestades, e expôs publicamente sua vergonha!
Como o contexto sugere uma figura política de governo, Cristo tirou dos demônios algo que correspondia com seu governo sobre os homens.
Havia dois principais bens imateriais e extremamente significativos aos poderosos do Império Romano, através do qual dominavam as outras pessoas. Eram as auctoritas e dignitas.
Auctoritas: Esse termo transmitia nuances de preeminência, influência, liderança, importância pública, e a habilidade para influenciar eventos através de absoluta reputação pública.
Dignitas: Este era pessoal. Um acúmulo de influência, e linguagem firme das próprias qualidades e conquistas pessoais de um homem. De todos os bens que um nobre romano possuía, dignitas era provavelmente aquele em relação ao qual ele era mais sensível; para defendê-lo, ele poderia estar preparado para ir à guerra ou ao exílio, cometer suicídio, ou executar sua esposa e filhos.

O que Paulo pode muito bem estar dizendo é que, através da Cruz, Cristo despiu os poderes demoníacos de suas auctoritas e dignitas. Não são mais capazes de influenciar eventos através de sua reputação absoluta. E a reputação ganha por conquistas passadas reduziu-se a pó, quando na cruz, Jesus expôs publicamente a impotência definitiva deles. Cristo tem as verdadeiras auctoritas e dignitas.

 Conclusão: Sl. 24 -7 ao10 o salmista inspirado pelo Espírito retrata a entrada de Cristo após a consumação de sua missão, de maneira gloriosa!!
João tendo a visão do apocalipse narra a cena em que Cristo o Cordeiro de Deus desata os selos no céu Ap.5.
Glorioso Jesus!! Poderoso em Glória!! Prestemos adoração a esse Deus soberano que breve voltará!