terça-feira, 12 de abril de 2011

Reflexão sobre Jesus.

 Pois
o Jesus que é radicalmente obediente sabe que a vontade de
Deus é a vontade do criador e governador de toda  a
natureza e de toda a história; que há estrutura e conteúdo
em Sua vontade; que Ele é o autor dos dez mandamentos; que
Ele quer misericórdia e não sacrifício; que Ele requer não
apenas obediência a si mesmo, mas também amor e fé, assim
como amor ao próximo que Ele criou e ama.

Este Jesus  é
radicalmente obediente, mas Ele também sabe que somente fé
e amor tornam possível a obediência e que Deus é o doador
de todos estes dons.

 Agora, quando olhamos para Jesus do
ponto de vista de sua fé nos homens, ele nos parece um
grande cético, que acredita estar tratando com uma geração
adúltera e má, com um povo que apedreja os seus profetas e
depois lhes ergue monumentos. Ele não deposita nenhuma
confiança nas instituições e tradições prevalecentes de sua
sociedade. Mostra pequena confiança nos seus discípulos,
convencido de que eles se escandalizarão nele, e de que
até o mais firme dentre eles será incapaz de permanecer ao
seu lado na hora da prova. Somente a ficção romântica pode
interpretar o Jesus do Novo Testamento como alguém que
acreditava na bondade dos homens e que, por isto,
procurava trazer à tona o que neles era bom. Todavia, a
despeito deste ceticismo, ele é admiravelmente livre de
ansiedade. É heróico na sua fé em Deus, chamando o Senhor
do céu e da terra de Pai. Em sua existência marcada pela
pobreza, falta de família, alimentação e teto, ele confia
naquele que dá ao necessitado o pão de cada dia. E no fim
entrega o seu espírito a quem sabe responsável pela sua
morte vergonhosa e ignominiosa. A Ele também confia a sua
nação, crendo que o necessário será dado aos que põem de
lado a preocupação com a sua própria defesa e buscam
apenas o Reino de Deus. Tal fé parecerá sempre radical aos
seres humanos com a sua profunda desconfiança do poder que
os originou, que os sustenta e que ordena a sua morte.
Trata-se da fé que tem um Filho de Deus, a qual é muito
extrema para aqueles que se concebem como filhos da
natureza, ou dos homens, ou de uma contingência cega.

O segredo da 
mansidão e brandura de Cristo está na sua relação com

Deus.

A crença que homens de diferentes culturas professam
em Jesus Cristo significa, por conseguinte, crença em
Deus. Ninguém pode conhecer o Filho sem reconhecer o Pai.
Estar relacionado com Jesus Cristo em devoção e obediência

é estar relacionado com aquele para quem ele aponta
constantemente. Como Filho de Deus, em meio aos muitos
valores da vida social do homem, ele aponta para aquele
que (e somente Ele) é bom; em meio aos muitos poderes que
os homens usam, e dos quais dependem, para aquele que é o
único poderoso; em meio aos tempos e estações da história,
com as suas esperanças e temores, para aquele que é  o
Senhor de todos os tempos, e que é o único que deve ser
temido, e o único em quem se deve esperar; em meio a tudo
que é condicionado ele aponta para o Não Condicionado.

Provêm dele, em seu caráter de
Filho, de dupla maneira: como homem vivendo para Deus, e
como Deus vivendo com homens.
A crença nele e a lealdade à sua causa envolvem homens
no duplo movimento do mundo para Deus e de Deus para  o
mundo. Mesmo quando as teologias deixam de fazer justiça a
este fato, os cristãos, vivendo com Cristo em suas
culturas, estão cônscios dele. Pois estão sempre sendo
desafiados a abandonar todas as coisas por amor a Deus; e
estão sempre sendo enviados de volta ao mundo para ensinar
e praticar todas as coisas que lhes têm sido ordenadas.

Partes avulsas extraídas do Livro CRISTO E CULTURA de H. RICHARD NIEBUHR

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